A grande vantagem de todo sofrimento com certeza está relacionada aos aprendizados que nos passam e foi justamente essa experiência que me deu embasamento para falar no assunto. E pode até ser que você já inicie essa leitura questionando meu pensamento, discordando do meu texto ou até mesmo imaginando que essa é uma colocação que alguém que sofre de “dor de cotovelo”, mas esse não é o caso.
Não estou sofrendo por alguém, nem dizendo que o amor não existe, tampouco matando o romantismo. Trata-se exatamente do oposto. Eu acredito no amor, amor verdadeiro, que não sufoca, que não possui, que não inveja, que vibra junto a cada conquista.
Com o tempo, a maturidade e as experiências vividas, entendi que o amor liberta e a insegurança que nos torna possessivos. É por amor que permitimos que a outra pessoa busque seus sonhos e nos contentamos em vibrar com as conquistas, seja como par romântico, coadjuvantes ou mesmo apenas como platéia.
Conversando com muitas pessoas sobre suas relações amorosas e tendo uma recente experiência frustrada, questiono-me sobre onde há o erro e sou eu mesma quem respondo: O erro está na nossa forma de busca.
Em primeiro lugar, quem não é feliz com sua própria essência, não vai encontrar felicidade em mais nada. Trata-se muito mais de amor próprio, admiração própria, lutas pelos próprios sonhos, do que de uma idealização de um “par ideal”. Até porque quando o problema for você, perceberá que por mais que encontre a pessoa que preencha a todos os requisitos, ainda assim faltará algo.
Então para começo de história, esqueça essa coisa de encontrar a “outra metade”, “cara metade” “metade da sua laranja”, metade, metade, metade...
Não somos metades de ninguém, somos pessoas inteiras, que buscamos alguém que possa nos acrescentar. Pessoas inteiras são melhores de se relacionar, pois não estão buscando completude (elas já tem isso em si), mas trocas, acréscimos, novas experiências,mas não com metades, porque as metades os sugam demais.
Partindo deste raciocínio, há quem possa dizer que então não é preciso ter alguém ao lado. Preciso não é, mas é bom, nos faz bem, até porque todos sabemos que nenhum ser é uma ilha. A forma que cada um busca, ou espera a chegada desse ser, cabe individualmente a escolha. Há quem afirme que enquanto não encontra a pessoa certa, se diverte com a errada, há quem diga que enquanto não encontra a pessoa certa, vai levando muito bem a sua vida sozinha. Eu mesma já vivi ambas experiências, e dentro das perspectivas, cada uma me fez um bem( ou mal) pro exato momento em que vivi.
Foi, inclusive, repensando meus romances mais antigos e a forma como iniciei e desenrolei cada um deles, que desenvolvi um enorme medo de “gente metade”. Sim, porque se não bastasse o fato de serem incompletos, ainda nos sugam a nossa energia. Isso não é egoísmo, é bom senso, pois ao lado de pessoas metades, passamos também a ser incompletos.
Está difícil de acompanhar meu raciocínio subjetivamente? Ótimo, não há problemas, vamos à matemática:
Metade + metade = Um inteiro, dividido por dois = metade (logo um só é completo junto ao outro. Muito romântico, mas nada produtivo, já que estas duas pessoas só são completas quando estão juntas, não desenvolvem bem outras funções, como família, amigos, trabalho...)
Metade + Um inteiro = Um e meio, divido por dois = 0,75 (logo a pessoa que era inteira perdeu 25% do seu ser, que foi sugado pelo “gente metade”.É isso mesmo, o “gente metade” sugou 25% do ser inteiro.)
Quanto às pessoas inteiras, sei que podemos as vezes parecer egoístas, mas não somos. Podemos ser meio egocêntricas, em função de sermos simplesmente felizes, mas eu, que em determinado momento já fui metade e tentei buscar o que faltava em outro alguém, e que hoje me vejo inteira, posso afirmar com veemência que a relação de inteiros é sempre mais agradável e gera mais experiências produtivas e mágicas, afinal um + um = dois.