terça-feira, 23 de novembro de 2010
O carteiro e a ventania
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Sobre metades e inteiros
A grande vantagem de todo sofrimento com certeza está relacionada aos aprendizados que nos passam e foi justamente essa experiência que me deu embasamento para falar no assunto. E pode até ser que você já inicie essa leitura questionando meu pensamento, discordando do meu texto ou até mesmo imaginando que essa é uma colocação que alguém que sofre de “dor de cotovelo”, mas esse não é o caso.
Não estou sofrendo por alguém, nem dizendo que o amor não existe, tampouco matando o romantismo. Trata-se exatamente do oposto. Eu acredito no amor, amor verdadeiro, que não sufoca, que não possui, que não inveja, que vibra junto a cada conquista.
Com o tempo, a maturidade e as experiências vividas, entendi que o amor liberta e a insegurança que nos torna possessivos. É por amor que permitimos que a outra pessoa busque seus sonhos e nos contentamos em vibrar com as conquistas, seja como par romântico, coadjuvantes ou mesmo apenas como platéia.
Conversando com muitas pessoas sobre suas relações amorosas e tendo uma recente experiência frustrada, questiono-me sobre onde há o erro e sou eu mesma quem respondo: O erro está na nossa forma de busca.
Em primeiro lugar, quem não é feliz com sua própria essência, não vai encontrar felicidade em mais nada. Trata-se muito mais de amor próprio, admiração própria, lutas pelos próprios sonhos, do que de uma idealização de um “par ideal”. Até porque quando o problema for você, perceberá que por mais que encontre a pessoa que preencha a todos os requisitos, ainda assim faltará algo.
Então para começo de história, esqueça essa coisa de encontrar a “outra metade”, “cara metade” “metade da sua laranja”, metade, metade, metade...
Não somos metades de ninguém, somos pessoas inteiras, que buscamos alguém que possa nos acrescentar. Pessoas inteiras são melhores de se relacionar, pois não estão buscando completude (elas já tem isso em si), mas trocas, acréscimos, novas experiências,mas não com metades, porque as metades os sugam demais.
Partindo deste raciocínio, há quem possa dizer que então não é preciso ter alguém ao lado. Preciso não é, mas é bom, nos faz bem, até porque todos sabemos que nenhum ser é uma ilha. A forma que cada um busca, ou espera a chegada desse ser, cabe individualmente a escolha. Há quem afirme que enquanto não encontra a pessoa certa, se diverte com a errada, há quem diga que enquanto não encontra a pessoa certa, vai levando muito bem a sua vida sozinha. Eu mesma já vivi ambas experiências, e dentro das perspectivas, cada uma me fez um bem( ou mal) pro exato momento em que vivi.
Foi, inclusive, repensando meus romances mais antigos e a forma como iniciei e desenrolei cada um deles, que desenvolvi um enorme medo de “gente metade”. Sim, porque se não bastasse o fato de serem incompletos, ainda nos sugam a nossa energia. Isso não é egoísmo, é bom senso, pois ao lado de pessoas metades, passamos também a ser incompletos.
Está difícil de acompanhar meu raciocínio subjetivamente? Ótimo, não há problemas, vamos à matemática:
Metade + metade = Um inteiro, dividido por dois = metade (logo um só é completo junto ao outro. Muito romântico, mas nada produtivo, já que estas duas pessoas só são completas quando estão juntas, não desenvolvem bem outras funções, como família, amigos, trabalho...)
Metade + Um inteiro = Um e meio, divido por dois = 0,75 (logo a pessoa que era inteira perdeu 25% do seu ser, que foi sugado pelo “gente metade”.É isso mesmo, o “gente metade” sugou 25% do ser inteiro.)
Quanto às pessoas inteiras, sei que podemos as vezes parecer egoístas, mas não somos. Podemos ser meio egocêntricas, em função de sermos simplesmente felizes, mas eu, que em determinado momento já fui metade e tentei buscar o que faltava em outro alguém, e que hoje me vejo inteira, posso afirmar com veemência que a relação de inteiros é sempre mais agradável e gera mais experiências produtivas e mágicas, afinal um + um = dois.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
A Vida Secreta das Abelhas
Ora, afinal quem acreditaria que havia um filme, que eu sequer lembrava o nome, mas que o anuncio do lançamento na tv a cabo no sábado com reapresentação no domingo, me levaria ate a solidão da minha cama em uma noite tão fria?
Não recordava o nome, mas sabia que se eu marquei a hora e o dia do filme é porque tratava-se de algo que realmente me interessaria.
Sempre brinco com os amigos sobre coisas que me prendem demais. Não saberia citar hoje um único nome, que não os das minhas duas filhas, que me roubariam de uma boa festa, onde eu pudesse dançar a noite toda, mas ficaria em casa feliz se tivesse um bom livro pra ler. Então se pretendem sair comigo no fim de semana, nunca me dêem um bom livro para ler na sexta.
“A vida secreta das abelhas” este era o filme que minhas amigas acreditavam ser um “esqueminha de domingo à noite”.
Quando comecei a ver a história, não entendi o que afinal havia me chamado atenção naquele roteiro,mas a medida que a historia foi se enrolando, percebi que havia uma razão pra eu estar ali.
É incrível como um pequeno erro pode ser responsável por outro ainda maior. Naquela brincadeira de criança de escolher uma personagem pra ser, eu me vi em cada dor da menina.
Não matei ninguém, nunca, nem sem querer, mas tantas foram as vezes que chorando encolhida depois de ter cometido um erro pensei que “eu não sou uma pessoa má, mas faço tudo errado e isso me torna uma pessoa desprezível” que isso gerou uma lembranças da minha única época de infelicidade. Até mesmo eu que sempre fui, e hoje sou novamente, só luz tive um momento de obscuridade em que fui capaz de magoar.
A grande vantagem de fazer sempre o bem é que o sono é sempre tranqüilo, por mais que possa parecer inferioridade, há uma onipotência em agir corretamente.
As pessoas felizes estão ocupadas demais para fazer mal aos outros. Há muita energia a ser direcionada em coisas boas e não resta pra pensamentos de vingança.
Todas as analises que fiz em cima da epifania causada pelo filme, fez-me perceber que minha lente de aumento, não serve só para os relacionamentos amorosos, uso ela em cada sentimento meu, seja de felicidade, de alegria, de admiração, mas também nos de dor e de culpa. E não há sentimento que nos prensa mais que a culpa, pois ela não apenas prende, sufoca e nos move o tempo todo em função dela.
No sufoco da dor e dos questionamentos, lembrei de quando falei a um amigo, sobre o erro que cometi com uma grande amiga, da falta que ela me faz, como fico feliz em saber que ela esta bem, que sinto falta das coisas simples que fazíamos juntas e que ainda a olho com amor. Ele perguntou por que afinal eu não falava essas coisas todas para ela, respondi que ela não me perdoaria e poderia me magoar com palavras duras, as quais eu não me via preparada pra ouvir. Lembro de como meu coração ficou quando ele afirmou que não importava se ela me perdoaria, mas se eu havia me perdoado.
A verdade é que eu também “me perdoei, mas em algumas noites eu acordo chorando, então eu preciso me levantar e perdoar-me outra vez”.
Ainda acordo chorando algumas noites, abafada pelas lembranças pela dor das feridas mal cicatrizadas, pensando na vida que perdi naquele tempo, mas as lagrimas lavam a memória que me traz de volta ao presente feliz e amadurecido.
Sem culpa a vida fica muito mais leve, muito mais feliz. É claro que isso não muda o fato de ter cometido erros, mas olhar-se no espelho e considerar-se uma pessoa melhor e admirar o próprio ser é algo que no enche ainda mais de vida, de luz e INTENSIDADE. E definitivamente, “nenhuma abelha que tenha amor a sua própria vida irá lhe picar”.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Fechado Para Balanço
“FECHADA PARA BALANÇO” essa é a frase que parece estar pendurada em meu pescoço desde o meu término mais recente. Mas ao contrário que possa pensar, isso não é nenhum indício de sofrimento. Ao contrário, há em mim uma leveza que me faz entender que este é um momento necessário ao qual todos deveriam se submeter as vezes, para reavaliar sua realidade.
O que ganhei?O que perdi? O que aprendi? Onde errei? Onde o outro errou? Onde errei levando o outro a cometer um erro? Onde o outro errou me levando a cometer um erro? Onde acertamos? Os questionamentos são inúmeros e não devem ser ignorados. Faz parte do processo de maturidade.
E assim após um análise profunda do relacionamento, deve-se jogar fora todas as lembranças desnecessárias e escolher bem as que serão guardadas. Algumas boas, para lembrar com carinho da relação (mas não todas para que isso não se torne nostálgico quando pensar na decisão que levou ao término) e algumas, poucas, ruins (para que o aprendizado seja válido e também não fique lamentando o fim- essas por vezes são dolorosas, mas a medida que o sentimento morre, a dor também passa, restando, em meio as risadas, o lição do que jamais repetir.)
O fato é que pensar sobre o fim e revigorar as energias é muito produtivo. Isso não significa que devemos ficar em casa chorando as pitangas e se enchendo de esperanças por algo que acabou. Fechar para balanço deve ser um processo prazeroso de autoconhecimento e da realidade e dos sentimentos.
Quando se conhece o que sente, é mais fácil saber como agir com o sentimento e decidir se deve virar a página ou salvar o que resta antes que tudo se perca. Eu nunca considerei “correr atrás” de alguém algo vergonhoso. Quando queremos algo corremos atrás. É assim que funciona quando se quer um carro, um bom trabalho, passar no vestibular , ir pra fora do pais... Corremos atrás e nos orgulhamos, ao falar da conquista, em contar como foi difícil tal vitória.
Então se realmente quer alguém pra si, corra atrás! Todos têm esse direito (desde que seja com armas limpas). Mas antes de tomar tal decisão, se escabelar atrás de alguém, pensando em formas de conquista ou reconquista, questione-se “eu REALMENTE quero essa pessoa?” Ai sim o próximo passo terá mais chances de ser correto e os argumentos verdadeiros.
Porém, lembre-se que nem sempre o sentimento é o suficiente para uma relação. Por vezes amamos alguém cuja presença não nos faz bem ou vice-versa. Para decidir lutar por um amor, considere se o bem que ele te faz é maior que o mal que te causa.
Mas caso conclua que realmente acabou, siga em frente sem medo. Virar a página pode ser um processo agradável. Afinal a maioria das pessoas, quando entende que acabou fica mais bonita, mais alegre, mais agradável. E que seja bem vinda a fase dois!
Mas observe todos os passos. Um dos grandes erros cometidos ao terminar um relacionamento é sair logo ficando com outras pessoas. Isso DEFINITIVAMENTE não funciona. É uma forma de fuga e toda fuga, cedo ou tarde, é descoberta.
Sempre considerei que pessoas que todos os dias procuram festas para ir, agem pro fuga (as vezes fogem de um amor mal resolvido, as vezes fogem de si mesmo). É uma rotina simples: trabalham o dia todo, alguns estudam a noite e depois vão a festas, churrascos, barzinhos... Dormem, acordam (meio cansados já) trabalham, estudam, encontram os amigos... E assim sucessivamente.
Não estou dizendo que não é para ver os amigos nem sair. Devemos sim ter pessoas por perto, afinal ninguém é uma ilha, mas até para isso é preciso autoconhecimento.
Saia! Faça festas!Veja os amigos! Viaje! Conheça pessoas novas!Fique em casa dormindo! Veja filmes, sozinho ou acompanhado! Leia mais!Pense mais!
Mas só faça o que sentir vontade de verdade e seja intenso no que fizer.
Se quiser sair, curta a festa ao máximo, se quiser ver os amigos ria ao máximo, se quiser ficar em casa, descanse ao máximo. Se quiser sair e não gostar da festa, vá embora ou durma no carro se tiver mais pessoas com você (também não vá estragar a festa dos amigos né?! Tampouco tornar-se a mala da vez).
Seja lá o que fizer, dê sempre o melhor de si. Sem fugas! Que tudo em você seja verdadeiro.
E quando conseguir ficar em casa, no máximo da solidão, num sábado a noite e isso te fizer feliz, reconhecerá a cura. Ai sim, bola pra frente porque venha o relacionamento que vier, vai-se desprendido do passado, porque nenhuma relação deve pagar pelos erros de uma experiência que já foi.
Afinal, fechar-se para balanço serve mais que para analisar o relacionamento que acabou, serve também para preparar-se para o relacionamento que vem.
E para essa nova relação, fora todos os aprendizados que teve analisando o passado eu dou apenas um conselho: QUE SEJA INTENSO ENQUANTO DURE.
Catiuscia Santos