Quando recusei o convite das amigas pra ficar um pouco mais, alegando que tinha que estar em casa antes das oito, pois passaria no Telecine Pipoca um filme que eu queria muito assistir, ouvi piadinhas de todos os tipos.
Ora, afinal quem acreditaria que havia um filme, que eu sequer lembrava o nome, mas que o anuncio do lançamento na tv a cabo no sábado com reapresentação no domingo, me levaria ate a solidão da minha cama em uma noite tão fria?
Não recordava o nome, mas sabia que se eu marquei a hora e o dia do filme é porque tratava-se de algo que realmente me interessaria.
Sempre brinco com os amigos sobre coisas que me prendem demais. Não saberia citar hoje um único nome, que não os das minhas duas filhas, que me roubariam de uma boa festa, onde eu pudesse dançar a noite toda, mas ficaria em casa feliz se tivesse um bom livro pra ler. Então se pretendem sair comigo no fim de semana, nunca me dêem um bom livro para ler na sexta.
“A vida secreta das abelhas” este era o filme que minhas amigas acreditavam ser um “esqueminha de domingo à noite”.
Quando comecei a ver a história, não entendi o que afinal havia me chamado atenção naquele roteiro,mas a medida que a historia foi se enrolando, percebi que havia uma razão pra eu estar ali.
É incrível como um pequeno erro pode ser responsável por outro ainda maior. Naquela brincadeira de criança de escolher uma personagem pra ser, eu me vi em cada dor da menina.
Não matei ninguém, nunca, nem sem querer, mas tantas foram as vezes que chorando encolhida depois de ter cometido um erro pensei que “eu não sou uma pessoa má, mas faço tudo errado e isso me torna uma pessoa desprezível” que isso gerou uma lembranças da minha única época de infelicidade. Até mesmo eu que sempre fui, e hoje sou novamente, só luz tive um momento de obscuridade em que fui capaz de magoar.
A grande vantagem de fazer sempre o bem é que o sono é sempre tranqüilo, por mais que possa parecer inferioridade, há uma onipotência em agir corretamente.
As pessoas felizes estão ocupadas demais para fazer mal aos outros. Há muita energia a ser direcionada em coisas boas e não resta pra pensamentos de vingança.
Todas as analises que fiz em cima da epifania causada pelo filme, fez-me perceber que minha lente de aumento, não serve só para os relacionamentos amorosos, uso ela em cada sentimento meu, seja de felicidade, de alegria, de admiração, mas também nos de dor e de culpa. E não há sentimento que nos prensa mais que a culpa, pois ela não apenas prende, sufoca e nos move o tempo todo em função dela.
No sufoco da dor e dos questionamentos, lembrei de quando falei a um amigo, sobre o erro que cometi com uma grande amiga, da falta que ela me faz, como fico feliz em saber que ela esta bem, que sinto falta das coisas simples que fazíamos juntas e que ainda a olho com amor. Ele perguntou por que afinal eu não falava essas coisas todas para ela, respondi que ela não me perdoaria e poderia me magoar com palavras duras, as quais eu não me via preparada pra ouvir. Lembro de como meu coração ficou quando ele afirmou que não importava se ela me perdoaria, mas se eu havia me perdoado.
A verdade é que eu também “me perdoei, mas em algumas noites eu acordo chorando, então eu preciso me levantar e perdoar-me outra vez”.
Ainda acordo chorando algumas noites, abafada pelas lembranças pela dor das feridas mal cicatrizadas, pensando na vida que perdi naquele tempo, mas as lagrimas lavam a memória que me traz de volta ao presente feliz e amadurecido.
Sem culpa a vida fica muito mais leve, muito mais feliz. É claro que isso não muda o fato de ter cometido erros, mas olhar-se no espelho e considerar-se uma pessoa melhor e admirar o próprio ser é algo que no enche ainda mais de vida, de luz e INTENSIDADE. E definitivamente, “nenhuma abelha que tenha amor a sua própria vida irá lhe picar”.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário